Tráfego a disparar na Portela acelera decisão sobre Montijo

A melhoria do desempenho operacional da companhia aérea nacional TAP é o principal fator que explica o crescimento do tráfego de passageiros nos aeroportos portugueses durante o primeiro semestre deste ano.

Segundo dados disponibilizados esta semana pela concessionária Vinci/ANA, na primeira metade deste ano, o tráfego nos aeroportos nacionais registou um acréscimo de 19,9% face ao período homólogo do ano passado, para um total de 23,5 milhões de passageiros.

No conjunto dos dez aeroportos nacionais geridos pelo grupo francês Vinci, o destaque voltou a recair no aeroporto Humberto Delgado: nos primeiros seis meses deste ano, o aeroporto da capital recebeu 12,1 milhões de passageiros, mais 22,3% do que no período homólogo de 2016, atingindo a taxa mais elevada de crescimento no conjunto dos aeroportos portugueses.

“O crescimento [de tráfego] muito acentuado em Portugal (+20, 6%) reflete, antes de mais, o forte desempenho da transportadora aérea nacional, que está a beneficiar da recuperação de tráfego com o Brasil e com a abertura de inúmeras novas linhas. O simultâneo desenvolvimento do tráfego low-cost com a Europa é o outro fator explicativo do aumento de tráfego nos aeroportos portugueses, com todos os principais protagonistas do segmento a reportarem um crescimento de dois dígitos ao longo deste período”, sublinha um comunicado da Vinci.

O crescimento constante, e cada vez mais acentuado, do tráfego de passageiros da Portela está a ser uma forte fonte de receitas para o grupo francês Vinci, que ganha não só com esse aumento, mas também pela via da subida das taxas, uma prerrogativa que lhe é conferida pelo contrato de concessão assinado com o Estado português e que foi acionada de novo há poucas semanas. Mas, por outro lado, começa a criar diversas situações de rotura no aeroporto da capital, nomeadamente ao nível do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, levando a uma crescente pressão sobre os responsáveis do Governo para acelerarem uma decisão sobre o aeroporto alternativo do Montijo. Esta opção deverá ser publicamente assumida pelo Executivo de António Costa na rentrée política, ou seja, a partir de setembro, de acordo com diversas informações recolhidas pelo Jornal Económico. Vários especialistas do setor recordaram ao Diário Económico que, mesmo depois de tomada uma decisão definitiva sobre o aeroporto complementar ao da Portela, será necessário aguardar um espaço de oito a dez anos para que as obras necessárias deixem a referida infraestrutura operacional. Nesse período, não se sabe como a Vinci/ANA irá conseguir lidar com o problema da sobrelotação da infraestrutura do aeroporto Humberto Delgado, sendo muito difícil manter estas taxas de crescimento de passageiros a partir daqui.

Mas não foi só no aeroporto Humberto Delgado que o crescimento de tráfego de passageiros se fez sentir no primeiro semestre deste ano. Em termos percentuais, a segunda maior taxa de acréscimo de passageiros no período em análise verificou-se nos aeroportos do Porto e de Faro, ambos com 18,5% de crescimento, para cinco milhões de passageiros e cerca de 3,8 milhões de passageiros, respetivamente. Logo a seguir, posicionaram-se os aeroportos dos Açores, com uma taxa de crescimento de 18,3%, para 992 mil passageiros. Por fim, os aeroportos da Madeira registaram um crescimento de 11,3%, para 1,6 milhões de passageiros.